terça-feira, 27 de maio de 2014

AULA 14 - Texto de apoio


10. Irrigação e gestão da água
(Capítulo 10 do Módulo II da Apostila do Curso de Agricultura Natural)

Ao longo desse módulo da nossa apostila já tivemos várias oportunidades de falar da água de irrigação nos campos para a prática da Agricultura Natural. Na verdade, vários assuntos estão sendo tratados nesse nosso material de forma orgânica, ou seja, distribuído ao longo do texto. Afim de facilitar a organização do nosso material escrito, ainda lançamos mão do artifício de localizar os tópicos para serem aprofundados, mas de uma maneira geral, assim como acontece com as nossas machambas, tudo está conectado. Vamos, pois, aprofundar agora um pouco mais na questão da água, mencionando e repetindo, sempre que necessário, algumas informações já apresentadas anteriormente.
Um fator limitante para a prática da atividade agrícola pelo interior do continente africano e em muitas regiões do planeta é, sem dúvida nenhuma, a disponibilidade de água. Seja na propriedade, na sua região ou ainda na bacia hidrográfica onde estiver inserida a atividade agrícola, o acesso a água é primordial para o sustento das lavouras. Nem sempre podemos contar com a chuvas, pois em muitas regiões elas já não são bem distribuídas ao longo do ano e já em muitos casos, ao longo de vários anos. O processo de desertificação que atualmente se verifica em muitas regiões do planeta e em especial do continente africano, é um reflexo direto dessa má distribuição das chuvas e tem provocado cada vez mais conflitos pelo acesso a água. Água é vida.
Dessa forma, também na Agricultura Natural precisamos estar atentos ao uso correto e ao manejo adequado da água para que nossas produções tenham sucesso permanente. Isto implica em não só saber usar a água que eventualmente temos à nossa disposição, mas também em sermos capazes de orientar nossos vizinhos em como fazê-lo. Tudo está conectado e, sendo assim, qualquer atividade que desenvolvermos em nossos terrenos terá um impacto no nosso entorno. Se esse impacto será positivo ou negativo, isso vai depender exclusivamente de nós mesmos.
Para clarear um pouco mais a idéia apresentada, vamos imaginar que, num determinado momento, um agricultor resolva instalar uma plantação de bananas pelo método da Agricultura Natural, por exemplo. Dependendo da região onde ele estiver, pode acontecer desse produto ter uma excelente aceitação no mercado da sua região, conseguindo atingir ótimos preços. Daí, a produção de bananas naturais poder se converter numa excelente fonte de renda. Mas, seguindo nosso exemplo, vamos supor ainda que a área disponível para a implantação desse bananal fique numa região com total carência de água, sem rios ou lagos na sua proximidade. Como alternativa para a irrigação, suponhamos que se estabeleça um projeto através do qual o agricultor irá captar água subterrânea e promover a irrigação por gotejamento. Até ai, talvez ele possa fazê-lo sem grandes prejuízos globais, desde que talvez plante apenas algumas dezenas ou mesmo poucas centenas de bananeiras. Mas imagine que ele resolva investir num bananal com milhares de bananeiras e lembremos que essas plantas irão demandar grandes quantidades de água durante todo o seu ciclo de crescimento e produção.
A água subterrânea não “nasce” espontaneamente do solo. A água faz parte de um ciclo através do qual ela circula por todo o planeta Terra. A esse ciclo damos o nome de Ciclo da Água.
 

O Ciclo da Água.
No subsolo, a água fica armazenada nos espaços porosos de terra ou rocha. Chamamos essa porção de terra de aqüífero e, dependo da composição geológica onde estão localizados, os aqüíferos podem ter diversas classificações. Os aqüíferos confinados são aqueles onde a água está presa no interior de massas rochosas sem que sejam capazes de se reabastecer, pelo menos em intervalos de tempo de algumas dezenas de milhares de anos. Normalmente a água armazenada nesse tipo de aqüífero está sob pressão e a grandes profundidades. Já no caso dos aqüíferos semi-confinados ou dos aqüíferos abertos, eles estão localizados em porções de terra onde é possível ocorrer a sua recarga, ou seja, a sua realimentação periódica. Esses aqüíferos são muito mais ativos no ciclo da água e normalmente estão localizados em camadas mais superficiais de sub-solo.
Ao fazermos uso da água subterrânea na forma de poços perfurados, é muito importante, no contexto geral de nossas atividades tendo por base a sustentabilidade de todo o nosso sistema agrícola, sabermos a origem dessa água. No caso de se usarem aqüíferos confinados, é bom sempre lembrar que trata-se de um recurso finito, embora muitas vezes possam ainda levar décadas para que se esgote. Um exemplo marcante na atualidade é o uso do aqüïfero existente sob o deserto do Saara que vem abastecendo gigantescas fazendas de produção agrícola no Egito. Estudos já apontaram que aquela água toda, que pode parecer muito nos dias atuais, se consumida no ritmo atual, irá ser completamente esgota em menos de 100 anos. A última recarga daquele aqüífero foi feita, muito provavelmente, durante a última era glacial do planeta. Portanto, uma vez esgotada aquela água, toda aquela região só a terá de volta daqui a uns 20 ou 30 mil anos pelo menos.
Já no caso da água subterrânea proveniente de aqüíferos abertos, como acontece com a água de poços rasos e cisternas, sua dinâmica se faz presente em escalas de tempo muito menores. Em determinados casos, quando fazemos uso da água proveniente de poços rasos, é comum termos uma vazão menor durante determinados meses, em função principalmente da explotação desses aqüíferos, pelas comunidades em geral, nos perídos de seca. Em outras plavras, quanto maior o número de poços numa determinada região, maior será o consumo da água armazenada e caso as chuvas não sejam suficientes para reabastercer esses aqüíferos de forma adequada, esse recurso poderá ser, inclusive, motivo de sérios conflitos entre vizinhos.
Voltando ao exemplo da plantação de bananeiras, se nosso agricultor não estiver atento à origem da sua água subterrânea, sua atividade poderá, a médio ou mesmo curto prazo, produzir uma série de impactos negativos no seu entorno. Mesmo com a boa intenção de se tentar produzir um tipo de alimento mais saudável, se as condições do ambiente não forem as mais adequadas ao tipo de cultivo instalado, os resultados globais poderão não ser tão interessantes assim.
A água proveniente de rios possui uma outra dinâmica local, mas sua origem também continua sendo a água proveniente do sub-solo, uma vez que, por maior que seja um rio, ele sempre nasce a partir de uma pequena nascente. Dai o fato de muitos países possuirem leis rígidas para proteger a todo custo as áreas onde ocorrem essas nascentes. Do contrário, caso nenhum esforço seja feito para protegê-las, um elo fundamental do ciclo da água será quebrado e as consequências poderão ser desastrosas.
Do ponto de vista prático, quando tivermos nossas áreas de cultivo instaladas nas proximidades de rios, podemos fazer a captação de água seja por meio do simples escoamento superficial, quando a topografia assim o permitir, seja pelo uso de eletro ou motobombas. Quanto mais distante nossa área estiver das margens do rio, ou lagoa, maiores serão os gastos necessários com a aquisição de equipamentos e materiais para conduzir a água até onde estiverem localizadas as lavouras. Os custos, porém, não são somente com a aquisição de materiais e equipamentos mas também com a energia necessária para fazê-lo. No caso de se usar eletrobombas, os custos com a energia elétrica poderão ser, inclusive, um fator limitante da produção agrícola, principalmente em locais onde não houver subsídios das concessionárias de energia elétrica ao trabalho do campo. No caso das motobombas, os gastos com combustíveis fósseis também poderão ser altos, sem falar nos impactos ambientais imediatos provocados pelas emissões contendo gases de efeito estufa.
Por fim, o escoamento superficial pode parecer o ideal, pelo menos em termos de consumo de energia, já que faz uso da gravidade. Mas ele tem o incoveniente de não ser praticável a grandes distâncias das fontes de água, por exigirem condições topográficas bem específicas. Além disso, essa forma de conduzir a água pela superfície do solo pode se revelar num problema muito sério, já que normalmente essa operação acarreta grandes perdas de nutrientes presentes nas camadas superfiais de solo e, com o tempo, acabam por provocar sua desestruturação física. Por fim, o escoamento superficial também tem o grande inconveniente de acabar por consumir quantidades quase que absurdas de água, pois dificilmente os agricultores que fazem uso desse tipo de sistema instalam, em seus canais de irrigação, medidores de vazão.
Já deve ter ficado claro até aqui que, qualquer que seja a fonte de água ou o método a ser implantado para conduzi-la até nossas lavouras, o manejo correto do solo será, desculpem o trocadilho, o divisor de águas do sucesso do nosso trabalho. Tão importante quanto saber a origem e a forma de conduzir a água até o campo, a preservação adequada da água no nosso solo será fundamental para garantir nossas produções agrícolas.

Irrigação com o uso de aspersores
Exsitem diversos tipos de aspersores disponíveis no mercado. Normalmente esse tipo de equipamento exige instalações mais robustas como sistemas de bombeamento de água de altas vazões, tubulações específicas, etc. A rigor, são mais usados quando se deseja irrigar grandes extensões de área de uma só vez. Assim, inicialmente busca-se economizar energia com poucas operações ao logo do tempo, mas com grande consumo de água. Um dos grandes problemas em se usar exclusivamente sistemas de aspersores, é o fato de que a irrigação acaba sendo feita de forma irregular em termos das reais necessidades das diversas culturas instaladas no campo. Lembrem-se mais uma vez que estamos trabalhando aqui sob a ótica da Agricultura Natural e, portanto, de sistemas agroecológicos onde a biodiversidade estará, na medida do possível, sempre presente nos campos de cultivo. Da para perceber, portanto, que usar aspersores implica em duas coisas basicamente: ou o agricultor acabará criando grandes campos de monocultivo, para equilibrar o consumo de água na operação de irrigação; ou ele irá irrigar os campos biodiversificados de maneira desigual em termos das necessidades individuais de cada tipo de planta ali instalada.
Mas por outro lado, pode acontecer de se usar esse tipo de sistema de irrigação por algumas outras limitações. No nosso caso, no Pólo de Agricultura Natural da Moamba, estamos numa região que sofre com ventos fortes praticamente durante todo o ano. Como veremos mais adiante, em algumas das nossas machambas usamos o escoamento superfiial, mas em outras, não temos alternativa senão o uso de aspersores com vazões mais altas, para garantir que água caia sobre o solo e não seja levada pelo vento. A partir do momento em que conseguimos instalar barreiras de vento adequadas, foi possível planejar e instalar sistemas de micro-aspersão como será descrito no ítem a seguir.
Ao instalar aspersores pelo campo, o agricultor deve ficar atento à capacidade de vazão do seu equipamento. Dependendo do tipo de aspersor usado, ele poderá fornecer um grande fluxo de água e um raio de ação elevado. Sistemas maiores, os chamados canhões de água, podem alcançar facilmente dezenas de metros de raio de sua pluma de irrigação. No casos dos aspersores menores, raios típicos vão de 3 a 6 metros. A altura do aspesor também será importante, pois se ele for instalado muito baixo diminuirá seu raio de ação; do contário, se for instalado demasiadamente alto, os ventos poderão interferir mais fortemente, dissipando a água e impedindo que ela caia sobre o solo onde estive instalada a cultura. A altura ideal de aspersores com 3 a 4 metros de raio de ação é de aproximadamente 1 metro.


Sistema de irrigação por aspersão no Pólo de Agricultura Natural da Moamba.

Dependendo da fonte de água, pode ser necessaria a instalação de filtros de linha após a captação pelas bombas (elétricas ou movidas a combustíveis). Isso diminuirá as paradas para manutenção dos bicos dos aspersores que por vezes acabam entupindo com resíduos de vegetação e outros materiais em suspensão na água. Porém, mesmos os filtros necessitam de limpeza constante e para evitar demasiadas interrupções das operações, é interessante instalar pelo menos dois filtros em paralelo na linha. Dessa forma, opera-se com um filtro e assim que seja necessário fazer sua limpeza, abre-se o outro e continua-se a irrigação sem interrupção.

Irrigação com micro-aspersores
Essa é uma variante do sistema discutido anteriormente. A principal diferença é a quantidade de água que se consegue despejar sobre a superfície do solo. Enquanto sistemas de aspersão típicos operam com vazões da ordem de 50 L.min-1 ou mais, sistemas de microaspersão operam na faixa de 50 L.hora-1. Portanto, ele oferece um controle muito mais eficiente da quantidade de água utilizada e, como é instalado com alturas de 20 a 30 cm, é possível direciona-los de forma mais eficaz a cada canteiro ou conjunto destes. A desvantagem nesse caso, é que se a área a ser irrigada for muito grande, serão necessários muitos mais micro-aspersores do que se fossemos usar os aspersores tradicionais. Além disso, os cuidados com a limpeza da água antes dela entrar nas tubulações também são muito maiores, já que os orifícios pelos quais a água passa nos microaspersores são muito menores.
Microaspersores são muito úteis no nosso trabalho agroecológico e, se bem manejados, dão uma resposta em termos de relação custo/benefício muito interessante ao agricultor. Nossa experiência tem demosntrado que a instalação desses sistemas, juntamente com o tipo de manejo que promovemos nos nossos solos, dão resultados realmente satisfatórios. Contudo, como já mencionamos, sua eficiência estará diretamente relacionada com a capacidade de instalarmos sistema agroecológicos equilibrados, principalmente com a presença de barreiras de vento adequadas. Do contráro, as plumas de irrigação desse tipo de sistema são muito finas e facilmente levadas pelo vento. 
 

Sistema de microaspersão instalado na Machamba Modelo da Agricultura Natural em Marracuene.

Sistema de microaspersão alternativo, construído com materiais baratos como hastes de higienizaçào auricular (cotonetes).

Em termos de economia de água, os sistemas de microaspersão também revelam ser muito mais interessantes que os sistemas convencionais de aspersão. Dessa forma, quando a disponibilidade de água for fator limitante da produçào num dado local, o uso de tal método para a irrigação das machambas pode ser uma das alternativas mais viáveis, tanto em termos de eficiência direta quanto em termos de sustentabilidade ambiental.

Irrigação por gotejamento
Este é um método de irrigação muito controverso na atualidade. Enquanto muitos defendem o seu uso e disseminação, quase indiscriminada, em regiões com carências crônicas de água, outros argumentam que o seu uso prolongado pode acabar degradando os solos pela salinização. Isto porque, ao longo do tempo, a água vai sendo distribuída na superfície do solo somente em pontos específicos, repetidamente. Portanto, em solos propensos ao efeito de salinização, que é o aumento da quantidade de sais, seja pelo acúmulo de fertilizantes químicos usados no decorrer de anos antriores, seja pelas condições geológicas naturais da região, o uso de sistema de gotejamento podem acelerar ainda mais os seus efeitos negativos.
Costumamos lembrar que os sistemas de gotejamento foram inicialmente desenvolvidos pelos israelenses, numa tentativa de promover o cultivo em regiões áridas e desérticas. De fato, essa tecnologia se mostrou extremamente eficiente naquelas regiões que de outra forma, não se conseguiam implantar quaisquer campos de cultivo. Mas uma coisa que acaba passando desapercebida pela maioria das pessoas, é que o tipo de solo sobre o qual os sistemas de gotejamento foram inicialmente desenvolvidos foi o arenoso. Nesse tipo de solo, a salinização é muito mais difícil de acontecer do que em solos de textura média ou argilosa. Nesse último caso, bastam algumas semanas de irrigação constante para se verificarem os efeitos da salinização. Portanto, querer disseminar esse tipo de tecnologia olhando apenas pelo lado da economia de água que ele promove, consideravelmente menor que em todos os outros métodos, é analisar o problema apenas por um único ponto de vista. Também nesse caso, falta a visão sistêmica, ou seja, de observar e analisar o sistema como um todo.
Ainda sob o aspectos de sistemas agroecológicos, em que já discutimos bastante a necessidade de reconhecer o solo como uma entidade viva, composta de milhares de espécies se interrelacionando constantemente, o fornecimento de água localizado apenas em regiões espécificas acaba criando uma espécie de microdesertos ao longo de toda a área. Ou seja, naquelas áreas onde a água não alcança, estabelece-se um tipo de ecossistema típico de desertos, diferentemente do que acontece nas proximidades das plantas. Mais uma vez, o sistema não contempla as conexões de vida existentes entre o solo, seus habitantes e as culturas. Lembremos novamente que ele foi iniclamente desenvolvido para se tentar produzir comida no deserto e naquele caso, o fornecimento de nutrientes oriundos de fertilizantes químicos, muitas vezes dissolvidos na própria água de irrigação, nem era questionado, como ainda não o é na mioria dos casos.
Do ponto de vista da microbiota natural, alimentada que deve ser em nossos campos pela aplicação de composto natural, como também já discutimos, o fornecimento de água e a manutenção da umidade do solo são fatores essenciais para o estabelecimentos de ciclos produtivos mais saudáveis. Por vezes, agricultores naturais argumentam que o sistema de gotejamento ajuda a evitar que o mato cresça entre as culturas. Porém, acreditamos que a essa altura já esteja devidamente claro que esse é um raciocínio que vai de encontro com conceitos fundamentais discutidos ao longo de todo esse texto. A água, aplicada sobre um campo agrícola equilibrado ecologicamente, será usada por todos, microrganismos, insetos, plantas espontâneas e culturas agrícolas.
Evidentemente que não estamos aqui condenando os sistemas de irrigação por gotejamento. Até porque, a exemplo do que tinham à sua disposição os técnicos israelenses que inicialmente desenvolveram esse tipo de sistema, em muitos lugares no mundo, inclusive no interior de muitos países africanos, a carência de água é quase total. Nesses locais talvez não tenhamos mesmo outra alternativa a não ser usá-los, mas como também não cansamos de repetir, que esse uso seja feito precedido de muita reflexão para que, assim que eventuais problemas venham a ocorrer, os agricultores e técnicos extensionistas sejam capazes de encontrar soluções viáveis para todos.

Irrigação por escoamento superficial
Em África esse deve ser o tipo de irrigação mais facilmente encontrado e disseminado entre os agricultores camponeses. Quando se dispõe de relativa quantidade de água e as condições do terreno são propícias, sem dúvida nenhuma que é o método escolhido justamente por quase não envolver custos com equipamentos, instalação e energia. Contudo, devem-se tomar cuidados especiais para se evitar a lavagem da superfície do solo. A passagem constante da água pelos canais de escoamento e campos irrigados vai, aos poucos, retirando da superfície do solo não só os nutrientes que foram sendo disponibilizados mas também a própria microbiota instalada. Além disso, como já mencionado, acabam sendo consumidas enormes quantidades de água e se os agricultores não tomarem cuidado, os solos acabam ficando encharcados e em pouco tempo desestruturados e salinizados.
Uma forma bem interessante de usar esse tipo de método de irrigação é quando conseguimos cobrir todo o nosso solo com uma camada espessa de cobertura morta, ou mulch. Dessa forma evitamos que as particulas finas do solo sejam carreadas pela água, ficando retidas na matéria orgânica. O mesmo acontece com os microrganismos e mesofauna, que encontram um ambiente favorável ao seu desenvolvimento. Além disso, a cobertura do solo, se bem feita, faz com que a umidade seja mantida por muito mais tempo. Dessa forma, as próprias operações de irrigação acabam sendo feitas com intervalos bem maiores de tempo, o que, por sua vez, acarretam economia de água e energia, quando essa é necessária. Uma vídeo-aula mostrando esse tipo de sistema em funcionamento pode ser assistida no endereço http://youtu.be/LqRZLMMvUIM.



Criação de zonas úmidas dentro das machambas
Essa é uma técnica muito interessante de ser aplicada nos nossos campos. Trata-se criar espaços e intervalos destes com pequenos tanques e canais de escoamento de água. No geral, esses tanques e canais ficam todos interligados e a finalidade dessas zonas úmidas é a de primeiro facilitar as captações e distribuição de água por todo o terreno. Mas não fica só por aí. Com o tempo, essas zonas vão sendo habitadas por inúmeras espécies de animais que acabam ajudando muito no controle biológico natural de nossas lavouras. Assim, sapos e rãs, principalmente, ajudam no controle de gafanhotos e outros insetos. Além disso, a presença de zonas úmidas permanentes no terreno atraem os pássaros e ínumeros insetos, inclusive os polinizadores. Por fim, estas aberturas no solo vão sendo responsáveis por ajudar a manter a umidade do subsolo do seu entorno, pois também funcionam como uma espécie de porta de entrada para a água. 
 
Instalação da zona úmida numa das machambas do Pólo de Agricultura Natural da Moamba.

Podemos plantar e cultivar, ao longo desses canais e zonas úmidas, diversas espécies de plantas que acabam demandando maiores quantidades de água como inhames, bananeiras, agriões, e até arroz. Com o passar do tempo, diversas dessas zonas podem ir sendo conectadas por todo o terreno e o resultado global será, por exemplo, o estabelecimento de uma zona com microclima muito mais agradável e adequado para se trabalhar com a terra.

Qual o melhor sistema de irrigação?
Talvez não exista um sistema ideal de irrigação. Como tentamos mostrar ao longo desse capítulo, cada um dos sistemas aqui apresentados e dos muitos outros que existem pelo mundo, possuem vantagens e desvantagens. A escolha de qual sistema utilizar deve ser feita depois de muita observação e reflexão, como discutimos no início desse módulo. Caberá ao agricultor pesar na balança as vantegens e desvantagens desse ou daquele método de irrigação. E por vezes, como é o nosso caso, pode-se usar vários métodos diferentes numa mesma propiedade, em função das características de cada parte específica do terreno.
Mais importante do que tentar criar uma espécie de escala de eficiência dos diversos métodos de irrigação, é sermos capazes de compreender os diversos conceitos que estão por trás desse tipo de operação agrícola. Assim procedendo, a escolha acabará sendo feita de forma muita mais eficaz e os resultados serão muito mais interessantes.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

AULA 13 - Texto de apoio


9. Tratos culturais
(Capítulo 9 do Módulo II da Apostila do Curso de Agricultura Natural)

Tratos culturais são operações agrícolas que devem ser realizadas durante o período de desenvolvimento das culturas, de forma que a planta possa expressar o máximo de seu potencial de produção. Dentre estas práticas podemos citar: adubação de manutenção, capina, escarificação, desbaste, tutoramento, controle de insetos, cuidados com rega, cuidados no transplantio e amontoa.




Adubação de manutenção
Antes de iniciarmos o plantio ou transplantio das culturas no campo, preparamos o solo de forma a garantir os nutrientes para o seu desenvolvimento através da ativação de sua microbiota, principalmente. No entanto, por vezes estes nutrientes incorporados ao solo durante seu período de preparo não são suficientes para garantir o bom funcionamento do sistema até que as culturas atinjam seus respectivos pontos de colheita, bem como suas produções desejadas. Sendo assim, é importante fazermos a adubação de manutenção das culturas, lembrando sempre que a matéria orgânica incorporada ao solo servirá para manter ativa sua biologia.
Esta operação consiste em colocar compostos orgânicos previamente decompostos ao redor de cada planta, tomando-se o cuidado para não colocá-los sobre a planta, pois isso poderia ocasionar queimaduras devido ao processo de decomposição da matéria orgânica parcialmente decomposta. Essa prática deverá ser realizada quando observarmos que as culturas estão apresentando alguma deficiência e/ou paralisação no seu desenvolvimento.
Capina (sacha)
A capina (sacha) deve ser praticada periodicamente, à medida que observarmos que a vegetação espontânea está se desenvolvendo mais que as culturas principais. O capim retirado do local, poderá ser incorporado novamente ao solo ou mesmo servir como composto para o próximo cultivo.

Escarificação

Com as regas diárias dos cultivos, o solo, quando for de textura média ou argilosa, tende naturalmente a ficar parcialmente compactado em sua superfície, trazendo como consequência a redução da infiltração da água, o impedindo o desenvolvimento adequado das raízes das plantas, bem como absorção de nutrientes. Sendo assim, ao observarmos uma redução no desenvolvimento das culturas, devemos fazer uma leve escarificação, ou seja, revolver a terra com um ancinho ou sacho manual ao redor de cada planta ou linha de plantio, de modo que o solo fique mais fofo e permeável. Durante esta prática, devemos tomar o cuidado para não ocasionar a quebra ou danos às raízes. O uso constante de cobertura morta pode ajudar a evitar a necessidade desse tipo de trato cultural.

Desbaste

O desbaste de plantas, é uma operação agrícola que consiste em arrancar as mudas excedentes que se desenvolvem nos canteiros das hortícolas que foram plantadas diretamente. Um exemplo prático é o caso do plantio de cenoura e beterraba. Durante a semeadura, normalmente colocamos mais de uma semente em um único sítio dentro da linha de plantio com objetivo de garantir a germinação. Com isso, ao germinar, nasce mais de um planta em um único local e assim, faz-se necessário a retirada das mudas excedentes e deixar apenas uma única planta, de forma que a raiz possa se desenvolver adequadamente e a produção seja garantida.

Tutoramento

Algumas hortícolas crescem muito, mas têm os caules finos e que se quebram ou dobram com facilidade, principalmente quando estão produzindo. Caindo, ficam encostados ao solo úmido e suas folhas apodrecem, prejudicando a planta e a sua produção. Além disso, nessa condição dificultam muito a colheita dos frutos, como por exemplo os tomateiros. Para evitar que isso aconteça, devemos fazer o tutoramento ou estaqueamento das plantas, principalmente com bambus ou estacas de caniço, por exemplo. Estas estacas, poderão servir como suportes de sustentação da planta, como é o caso do tomate e feijão verde.
Outra forma de fazer o tutoramento, é colocar nos limites do canteiro um tronco de madeira de aproximadamente 1 metro de altura, esticar um arame por cima e em seguida, colocar em cada planta uma linha de algodão que possa servir como tutor, sendo a linha amarrada ao pé da planta até o arame que está esticado acima, de forma que a planta permaneça sustentada.


Tutoramento usando estacas e arames.

Controle de insetos
Na agricultura natural, o controle do ataque de insetos deve ser feito através do estabelecimento do equilíbrio ecológico em todo o sistema. Neste sentido, devemos trabalhar com os conceitos de manejo ecológico do solo, que permitem estabelecer uma produção agrícola, onde a biodiversidade, as interações do solo com as culturas e o clima sejam levadas em consideração para o sucesso da produção natural e assim, as plantas atingirem seu máximo potencial de desenvolvimento.
O inseto não deve ser encarado como um agente prejudicial ao sistema, mas sim como parte integrante de todo o sistema produtivo. Se um ataque de insetos está ocorrendo em sua produção agrícola é para mostrar que algo na sua forma de manejar o solo não está de acordo com às Leis da Natureza.
Ao desbravar uma área para o plantio de culturas, sem querer, acabamos por gerar desequilíbrios ao sistema, acarretando em destruição dos abrigos dos inimigos naturais e exposição do solo a condições adversas, gerando, consequentemente, a predominância de uma determinada população de inseto que acaba tornando-se “praga”.
Neste sentido, o estabelecimento de aceiros e faixas de vegetação nativa entre os canteiros produtivos, o respeito à melhor época de cultivo e a aptidão do solo com a cultura, torna-se fundamental para a manutenção do equilíbrio natural entre os cultivos e com isso, manter o sucesso da produção agrícola.


Cuidados com a rega
A necessidade de água das culturas varia de espécie para espécie, existindo culturas que sobrevivem em condições de sequeiro e outras que necessitam de áreas inundadas para se desenvolverem adequadamente. As condições de sequeiro são estabelecidas após o pegamento da cultura no campo e um exemplo prático são as culturas de manga, caju, massala, maphilwa, canhueiro e mafureira, que após estabelecidas no campo, praticamente sobrevivem com a absorção da água subterrânea.
Já o arroz e agrião, são exemplos de culturas que se desenvolvem em locais inundados, sendo portanto, mais proprícios para serem produzidos em solos argilosos, que conseguem reter maiores quantidades de água.
Sendo assim, respeitando-se as condições inerentes de cada cultura, podemos definir alguns cuidados com a rega. Ela deve ser feita preferencialmente, no período da manhã até no máximo 8 horas e no final do dia a partir das 16 horas. Devemos tomar cuidado para não jogar jatos fortes da água sobre o solo, bem como sobre as plantas, pois do contrário podemos criar camadas duras na superfície do solo e ainda quebrar as plantas. Isto geralmente acontece quando é utilizado mangueiras ou baldes para realizar a rega. Portanto, uma prática simples para quem utiliza mangueiras, é colocar o dedo na ponta da mangueira, de forma a reduzir o impacto da água e regar a sua horta como se fosse uma chuva fina.

Amontoa

Essa prática agrícola deve ser realizada em algumas culturas, principalmente aquelas que objetivamos colher os bulbos e/ou raízes, como é o caso do amendoim, a batata-doce, batata-rena, beterraba, cebola, cenoura, rabanete, entre outros. Muitas destas culturas, antes mesmo de atingir sua produção, começam a sair para fora do solo e com isso, sofrem com ressecamento e reduzem seu desenvolvimento. Portanto, faz-se necessário a operação de amontoa, que se refere a junção de mais terra ao redor da base do caule da planta, de forma que a terra cubra a parte da raiz que está saindo para fora e garanta melhor produção.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

POR QUE PLANTAR MILHO COMO SE FOSSE MAPIRA?

Vamos dar uma olhada nas duas imagens a seguir:




A primeira imagem é da mapira (Sorghum sp.) e a segunda do milho (Zea mays). Embora sejam plantas de espécies diferentes, sua semelhança morfológica pode estar contribuindo, há muito tempo, para uma espécie de subcultivo do milho em muitas regiões do interior africano. Vamos analisar com mais calma as imagens anteriores.

A primeira imagem, da mapira, parece mostrar cinco plantas carregadas de sementes, não? Só que as coisas não são bem assim. Na verdade, trata-se de uma única planta, originada de uma única semente, que rebroutou após a primeira colheita e o corte da parte aérea da planta original. Pode até não parecer, mas os cinco pendões que vemos carregados compartilham o mesmo sistema radicular. E não é só isso. Pela natureza dessa planta, o sistema radicular permanece vivo mesmo após alguns cortes da parte aérea da planta e até mesmo quando ocorre uma estiagem prolongada. A mapira pode ficar meses sem receber água e quando volta a recebê-la, o seu desenvolvimento é retomado.

Já o milho, uma planta de origem das terras altas da América do Sul, possui uma estratégia de sobrevivência bem diferente da mapira. O pé de milho mostrado na segunda imagem também foi obtido após o plantio de uma única semente, só que nesse caso, essa semente produziu apenas um único “pé de milho”. Nessas condições, a produção de espigas pode variar de duas a até quatro espigas num único pé. Após o amadurecimento da espiga, o pé de milho seca e morre.

O milho foi trazido para a África pelos antigos colonizadores europeus que o descobriram em terras americanas. Rapidamente o seu cultivo foi expandido por praticamente todo o continente e hoje em dia é um dos cereais mais cultivados em todo o planeta. No entanto, nas machambas camponesas é muito comum encontrarmos milho plantado como se fosse mapira. Como é isso? Os camponeses adotaram o hábito de colocar numa só cova até seis ou sete sementes de milho e uma das justificativas para isso “é que eles precisam produzir o máximo de espigas por cova semeada”. Contudo, o que se vê na maioria esmagadora das machambas são plantas subdesenvolvidas que produzem espigas pequenas e raramente bem carregadas de sementes. No entanto, esse hábito é tão forte na cultura atual que até mesmo no caso de nossos colaboradores é difícil convencê-los do erro dessa prática.

Ao plantarmos mais do que duas sementes de milho por cova, as plantas que nascerem irão competir pelo espaço disponível e o resultado será uma espécie de atrofiamento do sistema radicular o que acabará causando um subdesenvolvimento da própria planta e consequentemente, da colheita. Durante algum tempo nos perguntávamos o por que dessa prática e numa espécie de insight percebemos, ao contemplar um pé de mapira carregado após a rebrota, que talvez esse hábito tenha se originado ainda no tempo do início da colonização, quando nossos ancestrais receberam as primeiras sementes de milho e perceberam que as plantas eram muito parecidas com as da mapira, de origem africana e, portanto, cultivada no continente há milhares de anos. O fato é que plantar milho como se fosse mapira não irá produzir, nem de longe, as colheitas potenciais que essa cultura pode nos dar.

Por outro lado, o cultivo da mapira como estratégia na produção de alimento em quantidade e qualidade em regiões vulneráveis em termos climáticos, pode ser até mais interessante que o milho. Como a planta está muito melhor adaptada às condições de escassez de água e ao calor africano, seu cultivo pode ser uma espécie de apólice de seguro para eventuais crises alimentares em muitas partes do continente.

Nas nossas machambas da Agricultura Natural, tanto o milho quanto a mapira são presenças mais que obrigatórias!

quinta-feira, 15 de maio de 2014

AULA 12 - Texto de apoio


8. Plantio e transplantio
(Capítulo 8 do Módulo II da Apostila do Curso de Agricultura Natural) 

No capítulo anterior discutimos a importância da produçào adequada de mudas, especialmente daquelas plantas que possuem sementes muito pequenas. No entanto, por vezes é recomendado proceder à semadura direta de muitas culturas agrícolas, mesmo que estas tenham sementes pequenas, como é o caso, por exemplo, das cenouras.

Após atingir o período adequado de preparo do solo podemos iniciar o plantio/transplantio das culturas, respeitando-se, como já dissemos, a melhor época de produção, o tipo de solo mais adequado, bem como o espaçamento correto para cada caso.

A profundidade de semeadura das sementes varia com cada cultura, mas de forma geral, devemos semear a cultura a uma profundidade de 3 vezes o tamanho da semente. Sementes muito pequenas colocadas em profundidades muito elevadas podem não ter força suficiente para se desenvolver.



Plantio

Após o período de preparo da terra, retira-se o capim seco e revolve-se a terra novamente, pois durante o período de preparo podem ter se formado camadas duras na superfície do solo. Em seguida são abertas linhas de plantio e semeia-se a cultura desejada, respeitando-se o compasso. Por fim, cobre-se com uma fina camada de capim seco ou ainda o caniço, nesse último caso nos intervalos entre as linhas.


Plantio direto de rabanetas com caniço nas entrelinhas. Machamba Modelo da Agricultura Natural em Marracuene.


Transplantio

As culturas que necessitam de transplantio devem ser retiradas cuidadosamente do viveiro de mudas com o uso de uma pá de transplante, após atingirem 3 a 4 folhas definitivas. Abre-se uma cova no canteiro definitivo e planta-se a muda, nivelando-a com a superfície do solo. Em seguida, cobre-se com terra, preenchendo os espaços vazios e dando uma leve pressão para evitar bolsões de ar. Após o transplantio, deve proceder a rega e por fim cobre-se com capim seco para proteger a planta contra a radiação solar intensa e manter a umidade do solo por mais tempo.

O transplantio das culturas que estão em viveiro deverá ser realizado preferencialmente no período mais fresco do dia, ou seja, a partir das 16 horas, de forma que as plantas não sofram após sua transferência para o campo. 
 

Transplante de mudas.

 
Determinadas culturas necessitam de equipamentos adicionais para promover a semeadura dos campos. É o caso das cenouras, cebolas e rabanetes por exemplo. Essas culturas podem e devem ser plantadas com um certo adensamento, afim de garantir uma boa produção por hectare. Porém, o número de plantas por metro quadrado acaba sendo muito alto e se formos colocar as sementes no solo manualmente, certamente teremos muita dificuldade em obter os rendimentos agrícolas adequados. A alternativa, portanto, é usar semeadores e plantadeiras. No caso de cereais como o milho, por exemplo, a semeadura poderá ser feita manualmente caso a área a ser cultivada seja relativamente pequena. Porém, se a intenção é cultivar em grandes espaços, o uso de equipamentos é quase inevitável.

Existem no comércio diversos tipos de semeadeiras e plantadeiras. A escolha poderá ser feita, principalmente em relação ao capital disponível para ser investido. Mais uma vez, levando em consideração a realidade econômica de nossas comunidades agrícolas, vamos nos atentar aos equipamentos mais simples e baratos.



Uso de plantadeira tipo matraca no plantio de feijão no Pólo de Agricultura Natural da Moamba.






Plantadeira alternativa para sementes miúdas como cenouras, rabanetes e outros. Uma vídeo-aula mostrando a construcão desse equipamento pode ser visualizada no endereço https://www.youtube.com/watch?v=zBkDzmQIhXM.



terça-feira, 13 de maio de 2014

Roteiro da Aula 11 - Produção de Mudas (Viveiros)

Roteiro de aula: Produção de Mudas



1) Importância da produção de mudas.

2) Construção de viveiros para a produção de mudas.

3) Como escolher e preparar as bandejas de mudas.

4) Preparo de substrato para as bandejas.

5) Semeadura e irrigação.

6) Viveiros de árvores.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Roteiro de Aula de Campo - Pólo de Agricultura Natural da Moamba

Em nossa Aula de Campo no Pólo de Agricultura Natural da Moamba teremos a oportunidade de ver de perto alguns dos fundamentos da Agricultura Natural estudados ao longo do nosso curso.

Esse roteiro servirá de guia para as principais explicações que serão dadas no campo. Porém, a capacidade de observação de cada aluno, exercitada na primeira Aula de Campo em Marracuene, também será importante para que cada um consiga apreender os conceitos expostos e até mesmo fazer novas descobertas. O texto de referência para essa nossa Aula de Campo será o Módulo 2 da Apostila do Curso de Agricultura Natural.


1. Ecologia integral: pertencemos ao universo


2. Biodiversidade


3. Redes e interações agroecológicas


4. Zonas úmidas, irrigação e gestão da água


5. Cultivos consorciados


6. Manejo agroflorestal


7. Os quebra-ventos rápidos e a importância de proteger os campos do vento


8. Preparo do solo no manejo no manejo agroecológico


9. Otimizando os espaços e a produção agrícola


10. Cobertura do solo e a compostagem natural


11. Produção de mudas e semeadura direta com uso de equipamentos simples